Cuidado especializado com os rins: quando procurar um nefrologista?
Os rins desempenham funções essenciais para o equilíbrio do organismo. Eles filtram o sangue, eliminam resíduos, regulam a quantidade de líquidos e minerais, participam do controle da pressão arterial e contribuem para a produção de hormônios importantes.Apesar disso, muitas alterações renais podem
Os rins desempenham funções essenciais para o equilíbrio do organismo. Eles filtram o sangue, eliminam resíduos, regulam a quantidade de líquidos e minerais, participam do controle da pressão arterial e contribuem para a produção de hormônios importantes.
Apesar disso, muitas alterações renais podem se desenvolver sem provocar sinais evidentes nas fases iniciais. A pessoa pode não sentir dor, manter a produção habitual de urina e continuar realizando suas atividades normalmente, mesmo que já existam mudanças na função ou na estrutura dos rins.
De acordo com o [Ministério da Saúde](https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/drc), a Doença Renal Crônica possui múltiplas causas e fatores de risco e, na maior parte do tempo, apresenta evolução assintomática.
É justamente nesse cenário que o acompanhamento especializado pode fazer diferença. A Nefrologia não atua somente nos casos avançados ou quando existe necessidade de diálise. Seu trabalho também envolve prevenção, investigação, diagnóstico precoce, tratamento e proteção da função renal.
O que os rins fazem pelo organismo?
A função dos rins vai muito além da produção de urina. Esses órgãos participam de diversos processos indispensáveis à saúde, como:
- Filtração do sangue e eliminação de resíduos;
- Controle da quantidade de água no organismo;
- Equilíbrio de minerais, como sódio, potássio, cálcio e fósforo;
- Manutenção do equilíbrio ácido-base;
- Participação no controle da pressão arterial;
- Produção de substâncias relacionadas à formação das células do sangue;
- Ativação da vitamina D;
- Ajuste da concentração de medicamentos e outras substâncias eliminadas pela urina.
Quando a função renal é comprometida, diferentes sistemas do organismo podem ser afetados. Por isso, uma alteração nos rins pode estar associada à pressão elevada, anemia, retenção de líquidos, mudanças nos minerais do sangue, fragilidade óssea ou aumento do risco cardiovascular.
Doença renal sempre provoca sintomas?
Não. Muitas doenças renais permanecem silenciosas durante um período considerável.
Nas fases iniciais da Doença Renal Crônica, é possível que a pessoa não apresente sintomas perceptíveis. Em alguns casos, a alteração é descoberta por meio de exames de sangue ou urina realizados durante uma avaliação de rotina, um acompanhamento de hipertensão ou diabetes ou uma investigação por outro motivo.
Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:
- Inchaço nas pernas, pés, tornozelos ou ao redor dos olhos;
- Alterações na quantidade ou na aparência da urina;
- Espuma persistente na urina;
- Sangue visível na urina;
- Cansaço sem causa esclarecida;
- Náuseas ou redução do apetite;
- Coceira persistente;
- Falta de ar;
- Pressão arterial difícil de controlar.
Esses sinais não confirmam, sozinhos, uma doença renal e podem ocorrer em várias outras condições. Além disso, sua ausência não descarta uma alteração. A avaliação médica é necessária para interpretar cada situação.
O que é avaliado durante uma consulta nefrológica?
A consulta começa com a compreensão do histórico do paciente. O nefrologista procura identificar doenças anteriores, fatores de risco, sintomas, medicamentos utilizados e mudanças observadas nos exames ao longo do tempo.
Entre os pontos que podem ser avaliados estão:
- Histórico de hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares;
- Episódios anteriores de infecção urinária ou lesão renal aguda;
- Cálculos renais;
- Doenças autoimunes;
- Histórico familiar de doenças renais;
- Medicamentos e suplementos utilizados;
- Consumo frequente de anti-inflamatórios;
- Pressão arterial;
- Presença de inchaço;
- Resultados anteriores de creatinina, urina e exames de imagem;
- Evolução da função renal;
- Alimentação, hidratação e outros hábitos cotidianos.
A partir dessas informações, o médico define quais exames realmente são necessários. Não existe uma investigação idêntica para todos os pacientes.
Quais exames ajudam a avaliar os rins?
A avaliação renal pode envolver exames de sangue, urina e imagem. A escolha depende do histórico e da suspeita clínica.
Creatinina e taxa de filtração glomerular
A creatinina é uma substância produzida pelo metabolismo muscular e eliminada principalmente pelos rins. Sua concentração no sangue ajuda a estimar a capacidade de filtração renal.
A partir da creatinina e de outras informações, o laboratório pode calcular a taxa de filtração glomerular estimada, conhecida como TFG ou eTFG.
A TFG oferece uma estimativa de quanto os rins estão filtrando, mas o resultado não deve ser interpretado isoladamente. Idade, massa muscular, hidratação, uso de medicamentos, doenças agudas e variações laboratoriais podem influenciar essa avaliação.
Exames de urina
A urina pode revelar alterações que não aparecem inicialmente nos exames de sangue.
Entre os achados que podem merecer investigação estão:
- Albumina ou outras proteínas;
- Sangue;
- Células inflamatórias;
- Sinais de infecção;
- Cristais;
- Mudanças na concentração urinária.
A relação albumina/creatinina urinária é um dos exames utilizados para identificar e quantificar a perda de albumina. Segundo a [diretriz KDIGO 2024](https://kdigo.org/guidelines/ckd-evaluation-and-management/), a avaliação da função renal pela TFG e da lesão renal pela albuminúria são dimensões importantes para classificar o risco e acompanhar a Doença Renal Crônica.
Exames de imagem
Ultrassonografia, tomografia ou outros exames podem ser solicitados para investigar:
- Tamanho e formato dos rins;
- Cistos;
- Cálculos;
- Obstruções urinárias;
- Dilatação das vias urinárias;
- Alterações congênitas;
- Nódulos ou outras mudanças estruturais.
Nem todo achado de imagem representa uma doença grave. Cistos simples, por exemplo, são relativamente frequentes. O significado depende das características observadas, do histórico clínico e dos demais exames.
Um exame alterado confirma Doença Renal Crônica?
Não necessariamente.
A Doença Renal Crônica é definida pela presença de alterações na estrutura ou na função dos rins mantidas por mais de três meses e com implicações para a saúde. Portanto, um resultado isolado nem sempre é suficiente para estabelecer o diagnóstico.
A creatinina pode se alterar temporariamente em situações como:
- Desidratação;
- Infecções;
- Doenças agudas;
- Obstrução urinária;
- Uso de determinados medicamentos;
- Alterações importantes na alimentação ou na massa muscular;
- Atividade física intensa, em alguns contextos.
O mesmo cuidado vale para alterações na urina. Sangue ou proteína podem aparecer de maneira transitória e precisar de confirmação em uma nova amostra.
O médico avalia a intensidade da alteração, sua persistência, os resultados anteriores, os sintomas e os fatores de risco antes de definir o diagnóstico e a conduta.
Quando a avaliação de um nefrologista pode ser indicada?
A necessidade de consulta deve ser individualizada, mas algumas situações frequentemente justificam uma avaliação especializada:
Alterações persistentes na creatinina ou na TFG
Uma redução importante ou progressiva da função renal precisa ser investigada para identificar sua causa, avaliar o risco de progressão e orientar o acompanhamento.
Albumina, proteína ou sangue na urina
A presença persistente desses elementos pode indicar uma alteração nos filtros renais, nas vias urinárias ou em outras estruturas. O resultado precisa ser interpretado junto ao exame clínico e aos demais testes.
Pressão arterial difícil de controlar
Hipertensão e doença renal possuem uma relação de mão dupla. A pressão elevada pode prejudicar os rins ao longo do tempo, enquanto determinadas alterações renais podem dificultar seu controle.
Inchaço recorrente ou sem causa esclarecida
O inchaço pode estar relacionado a doenças cardíacas, hepáticas, vasculares, hormonais, renais ou ao uso de medicamentos. A avaliação ajuda a identificar sua origem.
Cálculos renais recorrentes
Pessoas com episódios repetidos, cálculos em ambos os rins, histórico familiar ou alterações metabólicas podem precisar de uma investigação para reduzir o risco de novas formações.
Alterações de sódio, potássio ou equilíbrio ácido-base
Os rins participam diretamente do controle dessas substâncias. Alterações persistentes podem exigir investigação especializada, principalmente quando há uso de vários medicamentos ou função renal reduzida.
Mudanças estruturais nos rins
Cistos complexos, alterações no tamanho renal, obstruções, dilatações ou outras mudanças identificadas em exames de imagem podem precisar de acompanhamento.
Suspeita de doença renal hereditária ou autoimune
Histórico familiar, manifestações em outros órgãos e determinados resultados laboratoriais podem indicar a necessidade de uma investigação específica.
A KDIGO inclui entre os motivos comuns para encaminhamento ao cuidado renal especializado a investigação da causa da doença, queda significativa da TFG, albuminúria relevante, sangue microscópico persistente na urina e manejo das complicações da DRC. [Consulte os pontos principais da diretriz](https://kdigo.org/wp-content/uploads/2024/03/KDIGO-2024-CKD-Guideline-Top-10-Takeaways-for-PCPs-Management.pdf).
Quem apresenta maior risco de desenvolver doença renal?
Algumas condições aumentam a probabilidade de alterações renais e justificam acompanhamento mais atento. Entre elas estão:
- Hipertensão arterial;
- Diabetes;
- Doenças cardiovasculares;
- Obesidade;
- Histórico familiar de doença renal;
- Idade avançada;
- Tabagismo;
- Doenças autoimunes;
- Cálculos renais recorrentes;
- Episódios anteriores de lesão renal aguda;
- Uso prolongado ou inadequado de medicamentos potencialmente prejudiciais aos rins.
Diabetes e hipertensão estão entre os principais fatores associados à Doença Renal Crônica, conforme informações do [Ministério da Saúde](https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/drc).
Apresentar um fator de risco não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá uma doença renal. Significa que a periodicidade dos exames e das consultas deve ser discutida individualmente.
Medicamentos podem afetar os rins?
Alguns medicamentos exigem atenção especial em pessoas com risco renal ou função dos rins já reduzida.
Os anti-inflamatórios, por exemplo, podem diminuir a circulação de sangue nos rins em determinadas situações, principalmente quando existe desidratação, idade avançada, insuficiência cardíaca, doença renal prévia ou associação com outros medicamentos.
Além disso, diversos tratamentos precisam de ajuste de dose conforme a função renal.
Durante a consulta, é importante informar todos os produtos utilizados, incluindo:
- Medicamentos prescritos;
- Remédios comprados sem receita;
- Vitaminas;
- Suplementos;
- Produtos naturais;
- Fórmulas manipuladas.
Nenhum tratamento prescrito deve ser interrompido por conta própria. A avaliação médica considera riscos, benefícios e possíveis alternativas.
O que pode ser feito quando uma alteração é identificada?
A conduta depende da causa, do estágio da doença, da velocidade de progressão e das condições associadas.
O acompanhamento pode envolver:
- Controle da pressão arterial;
- Controle individualizado do diabetes;
- Revisão e ajuste de medicamentos;
- Redução do risco cardiovascular;
- Orientação alimentar conforme o diagnóstico;
- Tratamento de alterações minerais e anemia;
- Prevenção de novos cálculos renais;
- Monitoramento da TFG e da albuminúria;
- Tratamento de doenças autoimunes ou hereditárias;
- Planejamento do cuidado em casos mais avançados.
Nem toda doença renal pode ser revertida, mas muitas podem ser controladas. O tratamento adequado pode reduzir a velocidade de perda da função dos rins, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. A [Sociedade Brasileira de Nefrologia](https://sbn.org.br/publico/tratamentos/tratamento-conservador/) destaca que o tratamento iniciado precocemente aumenta as possibilidades de preservar a função renal por mais tempo.
O nefrologista não cuida apenas de pacientes em diálise
Essa é uma das ideias mais importantes quando se fala em cuidado renal.
A diálise é necessária apenas em determinados casos de falência renal. Grande parte do trabalho da Nefrologia acontece antes disso, por meio da prevenção, da investigação da causa, do tratamento dos fatores de risco e do acompanhamento da função dos rins.
O objetivo do diagnóstico precoce não é criar preocupação diante de qualquer exame alterado. É compreender o que está acontecendo, confirmar ou afastar uma doença e definir a estratégia mais segura para cada pessoa.
Cuidar cedo ajuda a preservar a função renal
Os rins podem permanecer silenciosos mesmo quando algo começa a mudar. Por isso, pessoas com fatores de risco ou alterações persistentes em exames não devem esperar o surgimento de sintomas para buscar avaliação.
Cuidar cedo significa:
- Investigar a causa da alteração;
- Controlar pressão, glicemia e outros fatores de risco;
- Evitar medicamentos inadequados;
- Acompanhar a evolução dos exames;
- Tratar possíveis complicações;
- Preservar a função renal pelo maior tempo possível.
A avaliação especializada não é necessária para todas as pessoas, mas pode ser decisiva quando existem alterações persistentes, fatores de risco importantes ou dúvidas sobre a saúde dos rins.
Prevenção também é cuidar daquilo que ainda não provoca sintomas.
---
Dr. Leandro Cancelli
Médico Nefrologista e Clínico Geral
CRM-PR 30235 | RQE 21893 | RQE 21892
Atendimento:
Clínica Vitalle – Centro Médico
Rua Barão do Cerro Azul, 136 – Centro – Ponta Grossa/PR
Agende sua consulta:
(42) 3027-2595 | (42) 98808-4474
www.drleandrocancelli.com.br
*Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui uma consulta, o diagnóstico ou o tratamento médico individualizado.*
Fontes consultadas: Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Nefrologia e Diretriz KDIGO 2024 para avaliação e manejo da Doença Renal Crônica.

