Nefrologia

Doença renal silenciosa: como avaliar a saúde dos seus rins

A ausência de dor não garante que os rins estejam saudáveis. Entenda quem merece atenção, como os exames ajudam na avaliação e por que o acompanhamento deve ser individualizado.

Doença renal silenciosa: como avaliar a saúde dos seus rins

É comum associar um problema de saúde à presença de dor. Por isso, muitas pessoas acreditam que, se não sentem desconforto, seus rins estão funcionando bem. Entretanto, a doença renal crônica pode se desenvolver sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais.

Isso significa que a ausência de dor não é suficiente para avaliar a saúde renal. Conhecer os fatores de risco e conversar com o médico sobre a necessidade de exames ajuda a identificar alterações e organizar o acompanhamento adequado.

Neste artigo, você vai entender o que torna a doença renal silenciosa, quais pessoas merecem atenção e como os exames participam dessa avaliação.

Qual é a função dos rins?

Os rins filtram o sangue, eliminam resíduos e ajudam a regular a quantidade de água e sais no organismo. Também participam do controle da pressão arterial e produzem hormônios relacionados à formação de glóbulos vermelhos e à saúde dos ossos. [1]

Quando essas funções ficam comprometidas, diferentes aspectos da saúde podem ser afetados. Cuidar dos rins, portanto, faz parte do cuidado com o corpo inteiro.

Por que a doença renal pode ser silenciosa?

A doença renal crônica envolve alterações persistentes na estrutura ou no funcionamento dos rins. Muitas pessoas não apresentam sintomas no início e só percebem mudanças quando o problema está mais avançado. [2]

O termo “silenciosa” descreve essa ausência de manifestações perceptíveis. Ele não representa uma doença diferente nem significa que todos os problemas renais evoluam da mesma forma.

Sentir-se bem não exclui uma alteração renal. A avaliação considera o histórico de saúde, o exame clínico e os resultados dos exames indicados para cada pessoa.

Quem precisa de atenção redobrada?

Alguns fatores aumentam o risco de doença renal crônica. Entre os principais estão: [3]

  • Diabetes: uma das principais causas de doença renal em adultos.

  • Pressão alta: também está entre as causas mais frequentes e precisa de acompanhamento contínuo.

  • Doença cardiovascular: problemas do coração e dos vasos sanguíneos estão associados a maior risco renal.

  • Histórico familiar de doença renal: informações sobre familiares com doença nos rins devem fazer parte da consulta.

Ter um fator de risco não significa que a pessoa já tenha doença renal. Significa que vale discutir com o médico como acompanhar essa parte da saúde.

Na consulta, informe quais doenças você tem, quais medicamentos utiliza e se alguém da família teve problemas renais. Leve exames anteriores, mesmo que tenham sido realizados por outro motivo.

Quais exames ajudam a avaliar os rins?

Dois componentes importantes da investigação são a avaliação da filtração do sangue e a pesquisa de albumina na urina. Eles fornecem informações complementares. [4]

Creatinina no sangue e filtração estimada

A creatinina é uma substância produzida pelo metabolismo muscular e eliminada pelos rins. Sua dosagem no sangue permite calcular a taxa de filtração glomerular estimada, também chamada de TFGe, que ajuda a avaliar a capacidade de filtração renal. [4]

O médico interpreta esse resultado junto às características da pessoa e ao restante da avaliação. O número do laudo precisa de contexto; comparações com exames anteriores podem ajudar a compreender sua evolução.

Albumina na urina

A albumina é uma proteína presente no sangue. Uma quantidade aumentada na urina pode indicar alteração nos filtros dos rins.

Uma das formas de avaliar essa perda é a relação albumina/creatinina urinária, conhecida como RAC. A pesquisa de albumina pode trazer informações relevantes mesmo quando a filtração ainda está preservada. [4, 5]

Ao discutir exames de urina, pergunte ao médico qual investigação foi solicitada e o que ela avalia. Os exames têm finalidades diferentes, e a indicação depende do caso.

E o ultrassom?

Quando indicado, o ultrassom pode contribuir para avaliar a estrutura dos rins e procurar alterações, como mudanças de tamanho ou obstruções. Ele complementa a investigação e não substitui, sozinho, a avaliação da filtração e da albumina urinária. [5]

Um resultado alterado significa doença renal crônica?

Um exame isolado não confirma, por si só, que a alteração seja crônica. A definição de doença renal crônica considera alterações renais presentes por pelo menos três meses. Essa persistência pode ser demonstrada por exames anteriores e outros elementos da avaliação. [5]

Por isso, o médico pode solicitar a repetição de exames, consultar resultados antigos ou investigar causas de alterações recentes. A necessidade de confirmar a duração do problema não significa adiar um atendimento ou tratamento necessário.

Se um laudo apresentar uma alteração, leve-o para avaliação. Evite tirar conclusões apenas pelo valor destacado no resultado.

Quais sinais merecem avaliação?

Embora a doença renal possa não causar sintomas no início, algumas pessoas apresentam inchaço, cansaço, mudanças na frequência urinária, urina espumosa, perda de apetite ou náuseas. Esses sinais podem ocorrer por diferentes motivos e precisam ser interpretados pelo médico. [2]

Urina espumosa, por exemplo, não confirma doença renal. Da mesma forma, a ausência de espuma não garante que os exames estejam normais.

Falta de ar ou dor no peito exigem atendimento imediato, independentemente da causa suspeita. A avaliação preventiva de rotina não substitui o atendimento de sintomas agudos.

Como cuidar da saúde renal no dia a dia?

As medidas de prevenção envolvem o controle das condições que podem prejudicar os rins e hábitos que favorecem a saúde geral. [6]

Acompanhe a pressão arterial e o diabetes

Mantenha as consultas e siga o tratamento prescrito. As metas de pressão e glicemia devem ser definidas individualmente. Sentir-se bem não é motivo para interromper o acompanhamento. [7]

Cuide da alimentação e da rotina

Reduzir o excesso de sal, escolher uma alimentação equilibrada, praticar atividade física compatível com suas condições e evitar o tabagismo são medidas que ajudam a proteger a saúde. [6]

Quem já tem doença renal pode precisar de orientações alimentares específicas, ajustadas aos exames e ao estágio da doença. O planejamento com o médico e o nutricionista evita restrições desnecessárias. [7]

Evite a automedicação

Anti-inflamatórios, como ibuprofeno e naproxeno, podem prejudicar os rins em determinadas situações, especialmente com uso prolongado ou em situações de desidratação. [8]

Informe ao médico todos os medicamentos, vitaminas e suplementos que utiliza, inclusive os comprados sem receita. Não suspenda um tratamento prescrito por conta própria; converse sobre as opções e os cuidados necessários.

Quando procurar um nefrologista?

O nefrologista é o médico especializado no diagnóstico e no tratamento clínico das doenças renais. A avaliação com esse especialista pode ser indicada diante de alterações nos exames, perda de função renal ou situações que exijam investigação e acompanhamento específicos. [7]

O clínico também participa da avaliação inicial e do controle de condições como diabetes e hipertensão. A necessidade de encaminhamento depende do conjunto de informações de cada paciente.

Para aproveitar a consulta, leve seus exames e uma lista dos medicamentos. Você pode perguntar:

  • Tenho fatores de risco para doença renal?

  • Preciso avaliar a filtração dos rins e a albumina na urina?

  • Como meus resultados se comparam aos anteriores?

  • Quando devo repetir os exames ou retornar?

Avaliação da saúde renal em Ponta Grossa

O Dr. Leandro Cancelli atua em Nefrologia e Clínica Médica em Ponta Grossa/PR. Na consulta, o histórico, os fatores de risco e os exames ajudam a definir os próximos passos do acompanhamento.

Não espere sentir dor para conversar sobre a saúde dos seus rins. Se você tem dúvidas, fatores de risco ou resultados alterados, procure uma avaliação individualizada.

Agende sua consulta:

- Telefones: (42) 3027-2595 | (42) 98808-4474

- Local: Vitalle Centro Médico

- Endereço: Rua Barão do Cerro Azul, 136 – Centro – Ponta Grossa/PR

- Site:www.drleandrocancelli.com.br

Dr. Leandro Cancelli — Nefrologia e Clínica Médica

CRM 30235-PR | RQE 21893 | RQE 21892

Conteúdo educativo. A indicação de exames e tratamentos depende de avaliação médica individualizada.

Referências

1. NIDDK. [Your Kidneys & How They Work](https://www.niddk.nih.gov/health-information/kidney-disease/kidneys-how-they-work).

2. NIDDK. [What Is Chronic Kidney Disease in Adults?](https://www.niddk.nih.gov/health-information/kidney-disease/chronic-kidney-disease-ckd/what-is-chronic-kidney-disease).

3. NIDDK. [Chronic Kidney Disease (CKD)](https://www.niddk.nih.gov/health-information/kidney-disease/chronic-kidney-disease-ckd).

4. NIDDK. [Chronic Kidney Disease Tests & Diagnosis](https://www.niddk.nih.gov/health-information/kidney-disease/chronic-kidney-disease-ckd/tests-diagnosis).

5. KDIGO. [2024 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease](https://kdigo.org/wp-content/uploads/2024/03/KDIGO-2024-CKD-Guideline.pdf).

6. NIDDK. [Preventing Chronic Kidney Disease](https://www.niddk.nih.gov/health-information/kidney-disease/chronic-kidney-disease-ckd/prevention).

7. NIDDK. [Managing Chronic Kidney Disease](https://www.niddk.nih.gov/health-information/kidney-disease/chronic-kidney-disease-ckd/managing).

8. NIDDK. [Keeping Kidneys Safe: Smart Choices about Medicines](https://www.niddk.nih.gov/health-information/kidney-disease/keeping-kidneys-safe).

Fontes consultadas em 5 de outubro de 2026.